Seja bem vindo!

Pelo menos nesse espaço posso expressar as idéias que parecem malucas. Afinal, porque termos medo de sermos malucos se todas as grandes personalidades da história foram consideradas malucas em seu tempo.


18 de junho de 2013

Contra a favor? Ou isso não faz diferença.

Não sei se vejo as manifestações com alegria ou com desgosto. Conheço muito bem o que é uma manifestação dessas, participei de muita desde a década de 1980. Mas a cada passeata sabíamos muito bem o que estávamos querendo e agora todo mundo quer alguma coisa como se fosse em um jardim de infância em dia de distribuição de brinquedos. Nesse sentido eu fico muito triste em ver manifestações que se formam como massas descritas por Jean Baudrillard.
Por outro lado fico feliz ao ver, ainda que de forma equivocada (ao meu ver!), uma reação que pode ajudar consertar a política brasileira. Temos o Congresso Nacional sem nenhum compromisso com a nação, fazendo leis sem que não serve pra nada e não faz o que o povo precisa: a reforma política, a reforma tributária. Agora estão querendo mexer na Lei de Responsabilidade fiscal e na Lei da Ficha Limpa pra limpar a barra de muitos deles. Hoje eu tenho pena do Poder Executivo porque este sempre foi vidraça, mas os senhores senadores, deputados, vereadores são os mais defendidos na mídia: primeiro porque são poucos em relação aos milhares de servidores públicos assalariados que atuam no executivo e são vigiados dia e noite, segundo porque eles, os parlamentares, são donos ou sócios dos veículos de comunicação. É coisa rara encontrar um veículo de comunicação que não esteja nas mãos de um político profissional. Assim é fácil fazer o jornalismo de denuncismo barato. O judiciário, esse todo mundo teme porque tem o rabo preso.... Então é aí que tem os maiores salários, as mordomias de toda natureza, as maiores férias de todas as carreiras públicas e cada vez que passa um pernilongo perto de um tribunal levanta a poeira da corrupção entranhada.
Eu ficaria feliz mesmo é se a corrupção fosse o tema desses protestos, de preferência com os nomes estampados nos cartazes para que esse bandidos jamais fossem eleitos.

Já que o que não falta é motivo para manifestação, quero sugerir mais um: que tal uma campanha para aprovar um Emenda Constitucional que proíba reeleição em qualquer nível do legislativo. Que nenhum cidadão possa exercer 2 mandatos no mesmo poder. Acho que isso seria um avanço muito grande!!!!

Manifestações? Sim mas a favor ou contra? 1

Essas manifestações tem muitas faces. Grande parte desses que estão nas ruas não viveram o tempo em essas manifestações eram comuns. O PT foi forjado nas manifestações de rua, depois foi para o governo. De certa forma atendeu ao anseios da população e as manifestações deixaram de existir. A qualidade de vida melhorou, o poder aquisitivo melhorou, a saúde e a educação também, só que quando se tem mais não se quer alguma coisa que apenas "melhorou".
Por outro lado, temos a imprensa que só tem "valor" jornalístico se for desgraça. Nenhum compromisso de nação, nem sequer lembra que esses veículos são concessões públicas, nenhum compromisso com a verdade ao menos que se ela não for a que eles querem. Protege até as ultimas consequências os seus deputados e senadores, até porque boa parte deles são donos de veículos de imprensa. Se um governo diminui os contratos de publicidades chove de matérias ruins. Ou seja, a única maneira de um governo mostrar a população o que está fazendo para melhorar a vida do povo é com matérias pagas. Assim, o Congresso é brindado porque é em grande parte dono desses veículos. O que escapa é o que esses canais consideram que dá audiência e daí os fatos são moldados para que dê pareçam verdades. O judiciário não é mais uma caixa preta, é um imenso baú muito bem protegido pelo senhora imprensa. Até mesmo juízes considerados improdutivos são catapultados a herói. Mas a vidraça é executivo. Porque? porque esse é o poder que chega mais perto do povo. Tudo é culpa do executivo e nunca, jamais lembram que o executivo é um dos três poderes. Ao contrário, em vez de defender a independência dos poderes, ataca violentamente a essa independência porque que essa é a alma da democracia ao por na conta do executivo todos as mazelas da política.
Ao contrário, precisamos de um executivo forte que não envergue ao desejos dos personalistas do parlamento e nem ao desejo de vingança que permeia o judiciário. Em países que o executivo é de fato forte até mesmo ministro são de carreira de Estado e não deve favor político ou financeiro para nenhuma rede de televisão, empreiteira ou um político qualquer.

7 de maio de 2013

AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM, É POSSÍVEL?

Tenho a seguinte entendimento: não se avalia aprendizagem. Pois é um fenômeno intrapsíquico e social que é construído conforme a experiência do sujeito. Muitas vezes pensamos que aprendemos mas não aprendemos, apenas identificamos conceitos. Podemos ter acesso a certas informações agora e a aprendizagem ocorrer quando tivermos melhores condições para apendê-las. O que "medem" nas avaliações da aprendizagem é o que esta na memória de curto prazo, o que não garante que saibamos operar com aquele conhecimento na vida.

22 de abril de 2013

Temos que entender Brasil mas não podemos ficar paralisados diante das diferenças

O Brasil é um "continente", são realidades múltiplas, tantas culturas num mesmo Brasil. Como toda democracia moderna tem três poderes, ou seja a presidência não tem poder pra tudo, e não há Governo Federal que resolva todos os problemas da educação. Temos Uma rede federal, vinte e sete redes estaduais (com 'autonomia'!), mais de cinco mil redes municipais (com 'autonomia'!)e nós sabemos como anda a gestão pública dos estados e municípios. Então o que fazer? O argumento de que "a maioria não faz isso ou aquilo porque eu devo fazer" é ótimo argumento de quem não tem coragem de assumir o seu papel social.
Não se pode espelhar nos que não fazem, estes sempre serão a maioria. Não podemos esperar que a realidade mude pra depois "exigir" que os professores mudem. Alem disso, espelhar na herança cultural e justificar a dificuldades de mudanças é fazer a educação olhando pelo retrovisor. A pergunta é: quando vamos olhar para frente? Ao contrário do educadores do século 19 que podiam espelhar no passado, nosso papel É participar da mudança e não mais de manter a qualquer custo a tradição. É preciso parar de justificar as incompetências com a herança cultural.

10 de abril de 2013

É HORA DE DESAPRENDER

Aprendemos a chamar de educação o que era ensino;
aprendemos adestrar com aulas expositivas intermináveis e chamamos isso de formar críticos;
aprendemos que aluno é sinônimo de 'voto de obediência' ao professor e achamos que mesmo assim podemos formar cidadãos críticos.
aprendemos a desrespeitar as individualidades e chamamos isso de igualdade de condições;
aprendemos que aluno bom é aluno "comportado" e aluno que não se enquadra é rebelde;
aprendemos que dá avaliação só interessa a nota;
aprendemos que aprendizagem se dá pela repetição e aluno que não admite a repetição não quer estudar....

Será que sabemos o que é educação

12 de julho de 2012

Você (professor) já mudou de século?

David Ausubel, um dos maiores educacores, publicou em 1968 que as aulas expositivas já eram repudiada. Disse tambem que a 50 anos, ou seja, no inicio do século passado, já haviam muitas outras formas de ensinar. A pergunta é: O que mudou nas salas de aula nos utimos 100 anos? Você (professor) já mudou de século?


Veja: Ausubel, pag. 33. http://books.google.com.br/books?id=VufcU8hc5sYC&printsec=frontcover&hl=pt-BR#v=onepage&q&f=false

10 de fevereiro de 2012

Professores doentes e envelhecidos. Alunos que detestam a escola.

Recebi uma dessas correntes de email que raramente leio. Mas essa me chamou atenção: "professor aviltado", como sou professor ...  Um professor do Rio Grande do Sul que enviou uma carta para um jornal relatando um fato  que jamais poderia ter havido. Pelo que ele relata realmente era uma aluna dispricente e mal educada. Que, além dela atrapalhar a aula, ainda foi denunciado por contrangimento pela mãe da estudante. Disse o professor: 

"Qual passo dado pela mãe? Polícia Civil!... Isso mesmo!... tive que
comparecer no dia 13/07/11, na 8.ª (oitava Delegacia de Polícia de
Porto Alegre) para prestar esclarecimentos por ter constrangido (“?”)
uma adolescente (17 anos), que muito pouco frequenta as aulas e quando
o faz é para importunar, atrapalhar seus colegas e professores'. A que
ponto que chegamos? Isso é um desabafo!... Tenho 39 anos e resolvi ser
professor porque sempre gostei de ensinar, de ver alguém se apropriar
do conhecimento e crescer.





É uma historia comovente.

Não tenho dúvida que essa aluna faltou com o respeito. Mas. Vamos pensar um pouco. A "corrente" que o professores solicita que é estranha. Temos que voltar a perguntar o que é ser professor no seculo XXI e procurar não responder "olhando pelo retrovisor".Afinal, preparamos jovens para o futuro e não para o passado!
Talvez o que esteja mais dificil para esse professor, e para tanto outros, é perceber que o seu jeito de ser professor não serve mais. É do tempo que não existiam os livros e os alunos tinham ficar ouvindo o professor porque era a única fonte de informação confiável!
Hoje temos muitas fontes de informações e o professor  "dador de aulas" ninguém aguenta mais. Veja as salas da universidade onde os alunos tem um pouco mais de autonomia está cada vez mais vazia. Porque eles não querem estudar? Não. Porque nós professores não sabemos o que fazer com uma geração em que, um menino de 15 anos tem mais informação que um senhor de 50 anos na década de 60 ( não quer dizer que os alunos tem sabedoria!).
Pense um ppouco: uma fotocopia é mais eficente que um professor enquanto midia (meio de condução da informação). É consegue repetir inumeras vezes e o professor pode ter dificuldade de repetir as ultimas 10 palavras!

Algumas coisas precisamos entender para não enloquecer na profissão:


  • Aprendizagem não depende de ensino!
  • Precisamos de escolas, mas não precismos de aulas para ensinar e para aprender!
  • Não é mais necessário o professor para distribuir o conteúdo!
  • Estamos ensinando demais, com conteúdo demais, com aprendizagem propocionalmente inversa.
  • Tem pesquisa suficente que indicam quais os caminhos a seguir, mas precisa confiar mais na ciência e mudar as práticas.


Falo isso sem medo de errar. Tenho 20 anos de sala de aula, ja trabalhei em todos os níveis de ensino e a mais de 15 anos atuo em cursos de formação de pofessores.

Tento fazer a minha parte para quebrar o círculo vicioso de professores doentes e envelhecidos que ensinam os  jovens a detestar esse modelo falido de escola e de educação.




ACORDA PROFESSORES!  SENÃO A ESCOLA SERÁ MUDADA DE FORA PRA DENTRO.




8 de fevereiro de 2012

OS PROFESSORES NÃO ACREDITAM NO QUE ESTUDARAM E EU NÃO ACREDITO NO QUE ELES FAZEM



Sabemos como é difícil ensinar algo que não acreditamos, mas certamente é mais difícil ensinar a quem não quer aprender. Nesses 20 anos de estrada na educação venho observando os argumentos dos professores quando se trata de qualquer proposta de mudança de estratégias na educação. O que sempre ouvimos são  “dúvidas” referente às propostas pedagógicas que diferenciam do trivial. Tudo bem, aprendemos a duvidar para fazer ciência. Mas duvidar dos meus conhecimentos para buscar respostas mais segura que a minha pobre opinião. Infelizmente não é o que observo nas reuniões de professores, inclusive nas reuniões acadêmicas na Universidade.  Exatamente onde deveria cofiar mais nos resultados das ciências que na mera opinião. Mas que vemos são os  professores duvidarem de anos de pesquisa de especialistas responsáveis para ficar com sua opinião “cafona”. Creio que esses professores fugiram das aulas de filosofia das ciências, veja algumas premissas:
  • Duvidar de algo que não conheço, é uma dúvida sem valor!
  • Criticar algo apenas pelo que eu ‘acho’ o que é? É mera opinião ou, pode ser preconceito!
  • Duvidar da experiência quando esta se resume apenas ao conhecimento empírico que tenho de algo é uma questão de prudência e inteligência!
  • Confiar na ciência não é acreditar nos seus resultados!

20 de janeiro de 2012

EU SOU UMA ZEBRA

Nasci num lugar chamado Anta e no dia de Santo Antão. Boia fria e semi analfabeto ate os 23 anos. Fugi de casa e fui conhecer a primeira cidade com mais de 5 mil habitantes aos 20 anos. Cursei o ensino fundamental em 9 meses,  trabalhando e estudando. Fiz o ensino medio supletivo noturno. Passei no primeiro vestibular que prestei e entrei pra universidade pública. A partir do segundo ano do curso de filosofia comecei a trabalhar como professor na educação pública. A terminar a graduação já comecei atuar como professor universitario. Ou seja, em 8 anos eu saí da condição de semianalfabeto para professor numa universidade! E agora...agora estou cursando o doutorado!


EU SO QUERO É SER FELIZZZZZZZZZZZZZ

Ninguém educa ninguém

Célebre frase de Paulo Freire:  “Ninguém educa ninguém. Ninguém educa a si mesmo, os Homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo” . O que significa?  Freire contesta ao que ele chamou de “educação bancaria”, o que chamamos de educação tradicional. Refere-se ao modelo pedagógico cuja ação educativa está centrada no professor e os discentes  estão passivo diante do poder do professor. O conteúdo emana do professor e os alunos tomam notas, respondem quando são inquiridos ou nas provas. Esse modelo vertical de educação é contestado na primeira parte da citação. Na segunda parte temos a critica ao individualismo no processo educativo por considerar que a educação é um processo social. Na terceira parte é resgatado o sentido original da educação familiar, a educação entre as pessoas que partilham de um mesmo contexto. Paulo Freire acrescenta um complemento para a terceira parte que resume o sentido da sua proposta educativa: o processo educativo é uma ação, portanto não se educa atribuindo a passividade ao aluno, midiatizada pelo mundo. Ou seja, todo o contexto da existência humano participa do processo educativo e não cabe silenciar uns com o poder de outros. Nesse sentido também que entendemos a aprendizagem em rede. O processo de aprendizagem é coletivo, cabe negociação, cabe cooperação e colaboração.

Quem mudará a educação!

O ciberespaço constitui em um contexto importante para as tranformaçoes também na educação, ainda que haja severas resistências as mudanças que essas tecnologias possibilitam. Tambem pudera, a pedagogia da transmissão é o modelo de educação prevalece em todo mundo. Porém o contexto educacional neste início de século torna-se cada vez mais favorável a transformação do ambiente escolar unidirecional e centrado no professor para um escola com forte suporte nas fontes de conteúdos disponíveis na web e centrado nos alunos. É uma mudança esperada mas difícil de ser realizada por se tratar da necessidade de mundança não só estrutural mas também da concepção de educação que norteia as ações pedagógicas. O dominio do professor na escola tradicional pode ser pleno, pelo menos em tese, pois ao transitar dos corredores da escola sempre é possével ser visto por alguem. Mas ao navegar no ciberespaço, ainda que seja com a finalidade de realizar um trabalho escolar pode percorrer caminhos infintamente mais complexos e muito mais rico em experiência, o que torna muito mais atrativo aos estudantes.

6 de outubro de 2011

(1) Penso que:

  • Todo ponto de vista é que se vê de um ponto em uma direção
  • A realidade é o espelho da alma. Cada um vê o que se tem competencia para ver.
  • Estudamos para ver as mesmas coisas que os outros.
  • Os conceitos são "ferramentas" do intelecto para "ver' a realidade. Sem eles a realidade não passaria de apenas imagens captadas pela retina.

(2) Penso que:

As tecnologias digitais não faz uma escola ruim ficar melhor.
Mas faz a boa ficar melhor e provoca a ruim a melhorar.

2 de setembro de 2011

A EDUCAÇÃO É PARA QUEM SONHA


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Entendo que essa é uma reflexão romântica da educação. Mas isso não me faz pensar que o realismo ingênuo, substrato do determinismo social, seja mais eficiente. Não esqueço que Paulo Freire foi um dos maiores sonhadores na educação brasileira conhecia como ninguém a sua realidade.

Autonomia: um ato de respeito



Falar de autonomia na aprendizagem soa logo como sendo uma proposta anárquica da educação que não prevê limites para os alunos. Ao contrário, respeitar a autonomia do apendente no processo de aprendizagem é ajudá-lo a construir limites claros e significativos para ele. Também não se trata de entregar no primeiro dia de aula um código de normas ou um roteiro de como estudar. Trata-se de conduzi-lo de forma segura e sem estresse à compreensão da vida em todas as suas dimensões. Isso pode ser agradável desde que esteja sintonizado com espírito do aprendente. Para isso precisamos considerar o seu contexto de vida e a sua história.
Outro contexto fundamental para a construção da autonomia e a escola. A escola deve se constituir como uma unidade que favoreça a aprendizagem (e não apenas ao ensino!) e a curiosidade dos seus alunos. É necessário que os educadores dessa unidade escolar estejam bastante seguro que o mais importante na instituição não é o trabalho do professor, mas sim a aprendizagem dos alunos. A autonomia do professor não da o direito de fazer o que quiser em sua sala de aula, pois é um Professional que atua numa instituição que tem um projeto pedagógico. Se cada professor der sua aula do jeito que quiser isso pode ser justificado pelo mito da autonomia pedagógica, mas se a gestão escolar não produzir a integração das atividades, das pessoas e das situações que envolvem o contexto escolar não há como estruturar de fato uma unidade escolar.
Por fim, entender a aprendizagem é um processo complexo e que não é a resultante imediata e objetiva de alguma aula. Se for exigido do aluno apenas que ele faça uma reserva de conhecimento para utilizar na “prova” não podemos querer que resultado do nosso trabalho produzisse mais que isso. Por outro lado, se queremos que nosso trabalho seja importante para construção da cidadania, precisamos participar da construção da autonomia de cada estudante e assim possa construir uma capacidade de aprendizagem e de entendimento da vida. Precisamos entender que há um tempo para que aprendizagem aconteça e esse tempo não gerido nem pela gestão da escola nem pelos mecanismos de ensino. Participar da construção da autonomia cognitiva do estudante é dar a ele condições para que utilize dessa aprendizagem escolar para compreender a dinâmica da vida.
Outro dia encontrei com um professor universitário que foi meu aluno nas aulas de filosofia no primeiro período de seu curso de economia.  Ele me disse que sempre que ele vai preparar uma aula lembra-se de uma frase minha: ”não confie no estou dizendo, confie no que você aprender”. Para falar a verdade, nem lembrava mais dessa frase mais continua acreditando nela.

Aprendizagem: um ato de prazer



Prefiro acreditar que a aprendizagem é um ato de prazer, mas de um prazer que não depende necessariamente de motivação externa. Vejo as crianças felizes ao conseguir realizar certas façanhas importantes para sua vida, como vi o menino sorridente que veio me dizer que aprendeu “tudo” sobre música, eu perguntei o que ele havia aprendido e ele repetiu contando nos dedos: “dó, ré, mi, fé, sol, lá, si”. Para o professor isso pode não ter sido importante, mas para ele foi muito importante porque ele sentiu se capaz de aprender música.
Como educadores temos que aprender sempre, aprender com cada aluno para que eu possamos contribuir para o seu aprendizado,  afinal ''O Professor não ensina; ajuda ao aluno a aprender"[i]. Se não aprendermos como cada aluno aprende nosso trabalho fica bem mais difícil quando percebemos que temos que atender a diversas necessidades e não sabemos quais. Essa variação pode ser  mínima, as vezes basta uma ação mais afetiva com determinado aluno para que ele rompa as barreiras que o impede no seu processo de aprendizagem.
Estou certo que se eu manifesto um desprazer em ensinar ficará muito mais difícil despertar o prazer de aprender. Por isso acredito que os professores educadores são também bons atores na sua profissão, eles precisam manter uma expressão de alegria mesmo quando as condições não são favoráveis. Ele não faz isso por falsidade ou por serem alienados, mas porque sabem que se a situação não é boa,  pode ficar pior se ele não fizer bem a sua parte.


[i] Entrevista com Eric Mazur. Disponível em http://nautilus.fis.uc.pt/gazeta/revistas/26_1/entrevista.pdf. Acessado em 01/09/2011

O que se ensina & o que se aprende



Seria muito fácil ser professor se o que fosse ensinado fosse aprendido objetivamente e no tempo previsto. Mas isso seria possível se fossemos ”máquinas de aprender”. Embora seja exatamente isso que é esperado por grande parte dos professores. Não podemos esquecer que nossos alunos podem aprendem mais que ensinamos mas  diferente do que foi ensinado e no tempo que cada um estiver condições para a aprendizagem. Nesses aspectos, Paulo Freire continua a ser o grande mestre quando ele preconizava que a educação só se realiza quando o que foi aprendido transforme em vida. Isto é, que faça parte da nossa forma de ver o mundo e que o que fora ensinado não seja apenas informação inerte e, portanto inócua para nossas vidas..
Em tantas salas de aulas pelo mundo a fora os professores preparam os alunos para que esqueçam tudo que for ensinado. Pois como defesa o nosso cérebro se prepara para esquecer o que é desagradável, assim como uma mãe esquece a dor do parto assim que pega em seus braços o filho tão esperado. Ainda bem que somos preparados biologicamente para esse esquecimento estratégico porque caso contrário a saúde mental estaria comprometida. É o que podemos esperar de nossos alunos, que esqueçam os momentos desagradáveis em nossas escolas.
É bastante comum encontrar professores que dizem que foram aprender de fato quando viram professor. Mas certamente o comportamento dos seus professores na sala de aula e as estratégias de ensino vividas por ele como estudantes serão reproduzidas e possibilitando a perpetuação dos equívocos na educação. Isso é muito significativo porque denuncia a qualidade da formação docente. Precisamos de um passo a frente, nem tudo que os antigos diziam é verdade, muito pouco do que vivemos na sala de aula dever ser reproduzido e não há o que se possa ser ensinado se não foi aprendido.
De fato não temos muitos educadores atuando na educação, em geral o que temos são técnicos que reproduzem uma aprendizagem livresca, descontextualizada e sem domínio metodológico. Muitos deles nem se preocupam com seu comportamento diante dos alunos, talvez nem sabem que nós apreendemos informações com todos os sentidos e que de uma longa aula de matemática pode restar apenas o mal estar causado pela ‘lição de moral’ para os que não entregaram as atividades realizadas. Precisamos de educadores que acreditem no que fazem, pois não é possível ser educador sem acreditar na educação, nas pessoas que participam do processo e no conteúdo que for ensinado.

Ensinar ou treinar?


Por outro lado, como dizia Paulo Freire[i], “A educação é um ato de amor, por isso, um ato de coragem. Não pode temer o debate. A análise da realidade não pode fugir à discussão criadora, sob pena de ser uma farsa. Como aprender a discutir e a debater com uma educação que impõe?”. Eis a pergunta, mas com repostas escassas. Não posso entender que um ato de amor possa ser um ato que cause desprazer continuado. Nem posso aceitar que uma ação violenta em nome da ordem de uma sala de aula que tem por finalidade principal o domínio dos corpos e mentes seja um ato de amor. 
Creio que os professores reunidos em uma instituição chamada escola precisam preocupar mais com a aprendizagem que com o ensino. Afinal, esse deve ser o objetivo ultimo do trabalho docente. O que temos observado não é o educar como um ato de amor, como dizia Paulo Freire, mas processo de treinamento que não coaduna com as expectativas da sociedade atual.
Sabemos que o treinamento também é necessário para obter um bom emprego, mas se a escola se propõe a educar seu trabalho não podem ficar restrito metodologias que reportam a memória imediata, nem a tempos de aprendizagem que não respeitas o fluxo da vida. Veja que uma expressão corriqueira nas escolas, a expressão ”turma” para referir aos alunos que participam do mesmo processo em determinada sala denota esse desrespeito às individualidades. Uma turma supõe igualdades e por isso é possível supor que possa ensinar a mesma coisa da mesma maneira porque são “iguais”. Porém, não é uma “turma”, são sujeitos do processo de aprendizagem que cuja individualidade foi construída por meio da sua história, constituída pela sua família, seu contexto social e os meios de comunicação que permeou todos os contextos de sua vida. Portanto não é uma “turma”, são individualidades que tem experiências diferentes, capacidades diferentes e que precisam de tempos diferentes para que a aprendizagem se efetive.


[i] FREIRE, Paulo. Educação como prática para a liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2001.