Seja bem vindo!

Pelo menos nesse espaço posso expressar as idéias que parecem malucas. Afinal, porque termos medo de sermos malucos se todas as grandes personalidades da história foram consideradas malucas em seu tempo.


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20 de janeiro de 2012

EU SOU UMA ZEBRA

Nasci num lugar chamado Anta e no dia de Santo Antão. Boia fria e semi analfabeto ate os 23 anos. Fugi de casa e fui conhecer a primeira cidade com mais de 5 mil habitantes aos 20 anos. Cursei o ensino fundamental em 9 meses,  trabalhando e estudando. Fiz o ensino medio supletivo noturno. Passei no primeiro vestibular que prestei e entrei pra universidade pública. A partir do segundo ano do curso de filosofia comecei a trabalhar como professor na educação pública. A terminar a graduação já comecei atuar como professor universitario. Ou seja, em 8 anos eu saí da condição de semianalfabeto para professor numa universidade! E agora...agora estou cursando o doutorado!


EU SO QUERO É SER FELIZZZZZZZZZZZZZ

24 de março de 2010

A LIÇÃO DE UM MATUTO

A LIÇÃO DE UM MATUTO
- O de casa!
- O di fora, pode entrá!
- Podemos conversar um pouco?
- Purquê não, vamos chegá, tomá um café.
- Sou professor Antonio, esse é nosso ajudante, e aquela é um estagiario que está fazendo as anotações pra depois fazermos um livro. E o senhor qual é seu nome?
- Sô José Sampaio da Cruis, mas podi mi chama de Zé da Cruis
- Mora por aqui aqui muito tempo? - Pra dizê a verdadi, eu nasci ali dotro lado do ispigão, dispois que meu pai morreu eu fiquei com a parti da terras di cá. Aqui nois mora desdi casado di novo.
- Bem seu Zé, nós trabalhamos para um projeto que visa distribuir livros gratuitamente para a população carente. Que não tem acesso à cultura e vive sem conhecer como funciona a sociedade, a natureza....
- Seu moço já parô na bera d´um corgo i oio pra ele comu si fosse oiá pra um fio seu. Já oio pra quelas águas que passa sem pará e vai simbora porque isso qui é u seu fazê. Já piso discarso n´água fria limpinha que dá gosto. Já bebeu água di corgo na parma da mão, desses qui corre imbaxo di mata. Já viu as piabinhas assanhadas co u pe da gente n´agua. Puis seu moço si u sinhô num sabi dessas coisas num sabi o qui é natureza, não. Istudá nus livro, vê televisão num dá sabiduria qui percisa pra vivê aque nessas bandas. Sei qui u sinhô pode sabê di muitas coisas qui num iscuitei falá, e si eu iscuitei tamem num intindi nada. Mais posso dizê qui pra vive aqui us livru num fais muita farta si nois num subé intendê mudança du baruio do rio quandu vai chuvê. Num subé u tipo di vento qui trais a chuva. Sei qui é bao intendê dus livro, cunhecê otros mundo, otros modo di vivê. Cunhecê das duença qui fais us pobre tremê. Mais vô ti dize cum sinceridade, num dispreso nada disso por que sei qui tem seu valô. Mais num vem cum jeito di arrogança pra riba di nóis dizeno qui sô tapado, qui sô isso qui sô aquilo aqui não. Posso até sê prus óio du sinhô mais vem morá aqui pra vê si essas sabidurias vai adiantá. Intão posso dizê qui u sinhô é benvindo mais num vô dizê qui vô lê seus livro purque agente tem leitura poca e quando chega da roça qué memo é discança. -
Ta bem seu Zé, vamos fazer o seguinte posso deixar os livros para os seus filhos ou quem mais quiser ver. É um presente que não paga a lição de vida que o senhor nos deu. 
- eu num vo fazê disfeita, vô aceitá sim sinhô. Mais o dia que qiser saber o que pensa nóis aqui da roça, venha passa uma semana pro sinhô vê nossa labuta. 
(e assim partiu o professor, aluno de um matuto)

13 de março de 2010

Crônicas

CLARICE

- Não sei meu nome.
Todos a conhece.  Chamaram-na de coitada.  “Não sei meu nome”, esse é o direito seu.  Como registra-la no Distrito?

- Não sei meu nome.
Não precisa nome para ser violada, ela não existe.
Existe a dor de não ter nome, dos olhares classificadores.

- Porra Clarice, dê o fora daí senão os homens vão te fazer...
Ela tem nome... (quem chama-la pelo nome, perde o seu).  Os outros sabem seu nome, a cor e o odor de sua pele. Ela disse que não tem nome. Isto é perigoso. Ela sabe o que é.




MACACO  NU

Tarde da noite, o sinal vermelho. Parei o automóvel, massajei o pescoço enquanto observava a pasta cheia de pepinos.
Antes do sinal verde, um homem nu apareceu.  Sorrindo masoquistamente me pedindo roupas e dinheiro. Assustei com a cena inusitada e perguntei quem o assaltara. Foi o presidente, respondeu o homem nu.
Dei-lhe alguns trocados, antes que o sinal amarelasse ainda perguntei porque sorria.  Nasci de novo, respondeu gargalhando.
Outra vez não entendi.  Acelerei, fui embora cheio de pepinos.


UMA ILHA CHAMADA BRASÍLIA

Ouvi um bêbado contando sobre um lugar encantado onde quem passava por lá não saiam de mãos vazias.  O bêbado, de olhos quase fechando, ainda disse que esse lugar misterioso era uma ilha muito estranha cercada de terra por todos os lados.
Fiquei curioso para conhecer. Tomei logo uma decisão: vender tudo que tinha e partir mesmo que fosse somente com a passagem de ida.
Fui até lá, mas não vi nada. Era uma ilha muito diferente do que está no dicionário: era uma porção de ricos cercados de pobres.



UMA  MORTE  ANORMAL

Quero anunciar-lhes a morte de um maltrapilho desconhecido, porém visto nas ruas por todos que tinham bom coração e davam esmolas. Que sentiam o mal cheiro de suas calças (já sem cor) e viravam os olhos para não causar-lhes vergonha por estar com os testículos aparecendo.
Esse homem foi quem mais observou as estrelas, sentiu a chuva no rosto, pisou descalços na grama molhada. Morreu e deixou um cachorro velho meio-vivo.
Aquele que tivera  saúde de ferro, pois nunca fora ao médico, morreu.  Dizem que foi parada cardíaca.



ATENTADO  AO  PODER

O mendigo nu que circulava pelo centro da cidade foi detido por policiais que foram chamados por pessoas de bem que ajudam a manter a ordem.
Logo que foi detido, acusado de atentado ao pudor, os policiais avisaram: “você tem o direito de permanecer calado,  tudo que disser poderá ser usado contra você”. Mas o mendigo continuou calado.
Hoje o mendigo tem roupa, comida e casa bem protegida para morar.







ELE  É  DEMAIS

- Que homem lindo! Será que ele sabe que é tão bonito? Olha seu jeito de andar, parece pisar em plumas. O sorriso dele, é de dar água na boca. Vontade de morder aqueles lábios. Se ele parasse na minha frente, faria tudo que desse vontade, em público. Parece desfilando na minha frente. Se ele me olhasse, daria um sinal. Sei lá se teria coragem. Com tudo aquilo nas minhas mãos, ficaria louca. Será que ele me viu? Acho que sim...Fechou a janela, foi dormir jurando que sonharia com ele.




A VIDA DO VAI-E-VEM

Todo dia por este caminho passa um homem há procura de seu destino. Sempre volta ao lugar de onde saiu; desta maneira, ele está sempre á mesma distância de seu destino. Talvez se alguém dissesse que para chegar ao destino deva ir sempre em frente, ele chegaria antes do pôr do sol. De que adiantaria orientá-lo, seu destino é ser caminhante.






QUEM SABE

Ela sabe o que quer. Mas não diz. Quem sabe porquê? Dizer pra quê?  Isso é tão comum. Deixe-a chorar; ainda há lágrimas. Se ela disser que lhe falta tudo, será pouco. Deixe chorar em paz,  ...morrer em paz.

Não a chame de criança apesar de sua pouca idade. Não tenha piedade, não queira ficar na fila do céu. Ela vive no inferno,  seu coração mole chama-a de coitada.

Ela é quase gente.  Morreu antecipadamente, mas sabe o que quer.




CRÔNICA  DE  UMA  PAIXÃO

Quando se olha da janela dos olhos querendo vislumbrar, numa esquina qualquer, o amor despido das máscaras que faz rir da paixão alheia, acelera o coração quase criança que vive a paixão à meia. Viver o amor é pura ilusão!  Mas é gostoso ser iludido. Prefiro estar perdido que ter todos os sonhos realizados.  Quem ama não vê defeitos e faz tudo perfeito, sem saber se a vida tem a cor dos olhos que disseca por inteiro ou se falta luz para ver a cor dos olhos da pessoa amada.
O que importa é que cada momento seja motivo para viver o dia seguinte, mesmo  que o porre faça perder a hora.




BILHETE

Papai Noel estou de mal com o senhor. Esperei meu presente e não ganhei. Eu só queria uma boneca de verdade, vi tanta criança que ganhou bastante presente que nem pediu e eu não ganhei. A minha mãe fala o tempo todo que é pra eu ficar bem boazinha que o Papai Noel trás presente; eu não ganhei, agora não acredito mais nela só por causa sua.  A minha mãe falou que o senhor não achou a nossa casa, sei que não é verdade. Eu vi na televisão que o Papai Noel conhece todas as crianças. Por favor traga minha boneca nem que seja depois do Natal. Eu moro perto da casa da Juliana e ela ganhou um boneca do jeito que eu quero.
Maria

DISCRETAMENTE PROSTITUTA
Desfilando na praça. Quase nua, o corpo exposto na vitrine da rua. Entre olhares desdenhosos, curiosos. Discretamente ele se aproxima:
- Quanto?
- Te faço morrer de tesão por 100 paus.
- Tu vai na frente.
- Falô.
Ele vai ao par e passo, olhando aquelas pernas, ela rebola, (gostosa!).  Todo mundo vê. Quem olha sabe mas não fala. Ela não fala, mas vai e ele se excita.
- (espero que esse cara acabe logo, não estou afim de ficar escutando besteira).
- Me dê a chave do 25 (parece ter dinheiro, o perfume é gostoso).
- Oh meu amor, cuidado!  Esses dias um cara despencou desse quebrado ...
- Vem aqui a muito tempo?
- Não, mas dá para conhecer todos os quebrados da escada.
- Esse quarto é só eu que uso. Gosto muito dele, não acha legal?
- Até que é (cheirando mofo).
- Você tem pinta de ser o homem mais gostoso do mundo!  Tô morrendo de tesão...(puta que corpo feio! Vou fazer este cara dar o fora logo). Vem meu amor! Sou todinha tua !
- (Que piranha gostosa!)
Ela volta à vitrine para prostituir os olhares classificadores dos falsos moralistas.



LOBO OU CARNEIRO

Soube de um lugar lendário onde o povo escolhe democraticamente seu governante. O  governante ‘dedocraticamente’ diz o que os deputados devem fazer. Eles, eleitos para representar a vontade do povo, faz a vontade do governante. Daí comecei a perguntar: como que a vontade da maioria pode ser respeitada se eles fazem a vontade de um cidadão apenas,  a do governante? Será que o governante sabe qual é a vontade de todos? Supondo que ele saiba da vontade de todos os cidadãos, então ele é Deus?  Mas se ele é Deus, porque eleger os deputados? Ele deve saber das necessidades de todos. Ainda, se ele é Deus e permite a eleição dos deputados, então ele está enganando a boa fé do povo?  Dizem que Deus é a pura verdade, então não poderia enganar o povo? Sendo assim ele não pode ser Deus, logo ele não pode não saber da vontade da maioria. Então, quem é esse governante???

MUNDO  DAS  ÁGUAS

Do outro lado da margem do rio, uma canoa solitária navega.  Não há direção,  o navegante vai à direção de seus olhos. Parece sem destino, navega a solto. Ao seu lado, remo descansa. Seus olhares perdido nas águas como quem avista o sol brotando do rio. Não Vê. Não ouve. Ele está absolvido pelo rio. A canoa desliza, ele está parado. Olha como se tudo estivesse no mesmo plano. Não sabe nada daquelas águas, ele participa do rio.



HONESTO ASSUMIDO

Moro perto do conhecido  Bar do Fumaça onde vou todas as tardes para saber da últimas. Lá fico sabendo os resultados do Campeonato Brasileiro de Futebol, do que aconteceu na novela, do que dizem  os políticos da oposição, das crianças que nasceram e o pai não sabe que não é o pai, e outras coisas que são importantes para acompanhar a vida da cidade. Esse esforço não é em vão. Sou um homem honesto e pretendo ser o melhor conselheiro do prefeito desta cidade, afinal de contas, ganho prá isso. Agora mesmo tive uma descoberta impressionante: soube através dos meus informantes, os freqüentadores assíduos do Bar do Fumaça, que o pãozinho da maior padaria da cidade é menor do que nas outras. Eu fiquei indignado, com a atitude do seu Zé Padeiro. Ele parece ser tão honesto, inclusive nós encontramos  todos domingos na Igreja. Bem, não querendo arrumar problemas para o prefeito, fui pessoalmente falar com o seu Zé Padeiro. Nessa conversa amigável, fiz outra descoberta: além de fazer um pão um pouco menor, que não é tão menor assim, seu Zé Padeiro é muito cordial. Veja só, além de me convidar para a inauguração de uma padaria bem maior que a atual e com instalações moderníssimas, ainda ganhei um cota de 50 pães diários até as próximas eleições.





QUANDO AS CERTEZAS GERAM DÚVIDAS


No Bar do Fumaça fiquei sabendo de um ba-fá-fá danado na ‘casa das meninas’. A garota que devia casar com Doquinha está grávida. Isto seria alívio pro Doquinha se ela não o acusasse de ser o pai. O Doquinha quando soube, ficou uma arara, olhou por cima dos ombros e rodou a baiana: -Imagina, euzinha aqui, vê lá se vou querer essa perua, isola (bateu na madeira três vezes) meu negócio é outro, não sabe. Não bastou sua reação imediata,  para as meninas sua imagem está arranhada com no episódio anterior quando havia dado o “sim” para o casamento, embora jurasse de pés juntos que fora só por dó da menina. Os pais da garota, muito simples, mas decepcionado com o caso passado, não querem acreditar na acusação. Por outro lado, a garota está fechada a sete chaves desde a malfadada “sim” ao casamento. Diante das certezas, resta apenas voz do povo: “jegue amarrado também pasta”.


TOCANDO  EM  FRENTE

Quando o sol desapareceu, molhei minha língua ressequida pelo calor estafante de um verão que parecia eterno. Senti novamente solto à luz da sua em noite de primavera. Não sei  que fruto colhemos das flores germinadas ao vento. Às vezes sol, as vezes tempestade; o último granizo desfolhou a árvore sob a qual sentamos a espera do outono. Apenas resta uma certeza: ainda há tempo para plantarmos outra árvore do inverno chegar.


Viva o Papai noel

Era noite de Natal, ele não sabia porque o Papai Noel não lhe dara presente. Solitário pela rua, imaginava presentes, Papais Noéis cruzavam a sua frente mas nenhum parava.
De repente passando em frente a uma casa ricamente decorada, parou a beira da rua, seus pés coçavam de vontade pular a grade e participar da ‘caça ao tesouro’ promovida para as crianças. Diziam que Papai Noel deixara presentes nas árvores do quintal, cada criança pegava suas pistas e os outros ajudavam a procurar o seu presente.
Navegando na sua fantasia, aquele garoto acreditou que Papai Noel pudesse ter deixado um presente numa das árvores daquela rua, já que todas estavam enfeitadas como aquelas quintal, e passou a uma busca incansável.
Era seu dia de sorte! Eis que de repente encontrou uma caixa, que num segundo é estraçalhada e uma bela prancha de skait é descoberta. O garoto saiu com asas nos pés para avisar seus companheiros da rua de que naquela árvores haviam presentes.
Não importa como o presente foi parar naquela árvore, o que importa é que para o garoto Papai Noel existe.




A  VERDADE

O Papa em visita pastoral a um país latino-americano, teve uma surpresa. Já no rito final daquela belíssima celebração, um dos líderes indígenas convidados para participar junto ao altar, pede a palavra para publicamente oferecer um presente em nome dos povos indígenas da América  Latina. Concedida a palavra, fez elogios aos esforços de Sua Santidade na luta pela paz, em seguida sacou de sua matula uma bíblia com ares de antigüidade, dizendo:
- Seu Papa, me disseram que o Senhor é o representante de Deus, por isso trouxe este livro que a muito tempo foi dado na minha aldeia. Acontece que só trouxe azar para nosso povo. Desde que o branco chegou aqui trazendo este livro só coisa ruim acontece. Nosso povo está acabando. Muita gente morreu porque diziam que neste livro tinha a Verdade. Não acho que seu Deus é diferente do nosso, vocês falam para não fazer guerra e mata a gente. Nosso povo que seguiu esse livro, não luta mais num faz festa mais.
Devido ao silêncio fúnebre que tomou conta da assembléia por um tempo longo demais, um dos celebrantes perguntou ao Papa se iria dizer alguma coisa. Ele respondeu:
- Vamos em Paz e o Senhor que os Acompanhe!




Meu pai, meu amigo


Pai, dá-me tua mão, vamos recordar aquele tempo que ficou tão longe quando você me pegava no colo e levava prá passear. Vejo que o tempo passou e eu nem percebi. Vejo isto  no teu rosto... Todos, os dias tenho meus compromissos: garotas, festas e mais. Nunca pensei que precisava conversar contigo. Minha vida estava boa, sempre contava conhecimento seu apoio e nem percebia. Ontem vi como você é importante para mim. Quantas vezes te via triste e nem se quer perguntara o que havia acontecido; seus problemas não me interessavam. Mas ontem cheguei mais cedo, chateado por ter perdido a garota por quem eu estava apaixonado; nem pensei que isso lhe interessava. Mas você fez aquilo que eu não esperava. Sentou ao meu lado e perguntou por que eu estava tenso, de forma que não houve como negar. Me fez falar, me ouviu e me aconselhou de forma tão amiga que me trouxe a lhe agradecer e te dizer: hoje você é meu melhor amigo. Pai obrigado!








O CALENDÁRIO DO CÃO


João e Maria nasceram
distante da civilização.
Criados por um beato
viviam como irmãos.

O beato antes da morte
fez uma revelação.
Tinham sido criados juntos
mas nunca foram irmãos.

Numa cerimônia singela
casou Maria e João
porque deveriam ter filhos
nos ditames da religião.

Ficaram sozinhos no mundo
mais ninguém na região,
Somente tinham certeza
no fundo do coração.

Estava escrito por Deus
a ordem da multiplicação,
deviam cumprir o mandado
como disse pai João.

Poucos dias se passaram
cruzou aquele sertão.
um mascate de bugigangas
que era seu ganha-pão.
 
Eles não tinham dinheiro
pra qualquer aquisição,
deram comida ao andante
costume do pai João.

Estas bandas são desertas
nem se ouve  latido de cão,
lastimou o andante
falando da região.

Quando foi na saída
em busca da civilização,
tirou da mala o andante
um calendário pro João.

Um presente novidade,
não conheciam tal invenção.
No calendário estava escrito
Folhinha do Sagrado Coração.

O beato lhes ensinou
com a maior devoção,
quem trabalha em dia santo
de Deus não tem perdão.

Sabiam ler e escrever,
obra de pai João,
assim tinham todo dia
uma nova revelação.

Tiravam a folhinha do dia
surpresa não tinha não,
todo dia era dia de santo
não se trabalhava mais não.

Os dia se passaram
a fome apertou então,
a doença pegou Maria
parecia maldição.
O moço não se conteve
ao céu levantou a mão.
Pedindo por caridade
que Deus desse direção.

Olhou à companheira
estirada no chão,
e com dose de  ironia
fez uma observação.

Ah minha santa santeira
por causa da devoção,
está pelada na esteira
mas com fé no coração.

João tomou coragem
e tomou a uma decisão,
queimou o calendário
e foi procurar o pão.

Vindo da mata cheio
de frutos da região,
Maria ainda vivia
estendeu sua mão.

Pegou-a em seus braços
chorando de emoção,
deu-lhe comida e água
e força ao seu coração.

A Maria recuperou a saúde
foi a viver a devoção
perguntou sobre a folhinha
do Sagrado Coração.

Desapareceu da parede
como vento de furacão,
respondeu imediatamente
seu esposo João.

Foi então que percebi
que se tratava de provação,
arranjei força nas pernas
fui buscar alimentação.

Voltei ainda em tempo
de ti salvar da maldição
era vontade de Deus
ajudado por pai João

Porisso digo, Maria.
Siga minha intenção
dia santo de guarda
dia de manifestação.
             
O trabalho é sagrado
é também uma devoção.
Nosso Pai não quer a morte
do filho em oração.

Deus não  da uma cobra
ao filho que pede pão,
isso é uma grande verdade
dizia nosso pai João.

Você pode acreditar
eu digo de coração,
aquela folhinha, Maria.
Era serviço do cão.



EM UM LUGAR DESCONHECIDO




Estava andando numa rua muito movimentada onde as pessoas andavam nas ruas mas quase ninguém andava a pé. Nas calçadas muitas pessoas sentadas em cadeira refrigeradas. Automóveis individuais, patinetes motorizados que mais pareciam belos sapatos dirigidos por controle remoto. Porém, nenhum automóvel  fazia barulho além da fricção com o piso.
Nas ruas onde grandes automóveis circulavam, ninguém furava sinal inteligente para caros inteligentes. O sinal vermelho emitia sinal de radio freqüência e os carros freiavam, ao sinal verde os carros aceleravam  automaticamente. Nos pneus totalmente lisos estavam escrito em sua lateral: a devolução deste produto com 70% do peso corresponde a um desconto de 40% na compra de um pneu novo.
Vi uma lata de suco reforçado com proteínas e gaseificado naturalmente, no rótulo estava escrito sem conservantes, embalagem biodegradável e reaproveitável.
Acordei pensando que era verdade.




22 de novembro de 2009

O LOUCO

José Lauro Martins

Eu estava andando numa rua perto de minha casa, quanto do portão de uma casa antiga, o louco me chamou:

Oi (eu olhei) venha cá. (na dúvida eu fui) vamos escrever juntos. A idéia parece maluca mas é fácil, basta que entendermos do mesmo assunto. Ou, podemos criar uma estória.

Foi isso que ouvi daquele rapaz considerado louco pelos seus vizinhos. Quando ouvi aquelas afirmações tão objetivas, parei e olhei sem dizer nada. Pensei que louco é esse que sabe como escrever um livro em parceria? Olhei para as pessoas normais a minha volta, todas passavam de cabeça baixa como quem procura algo precioso perdido em praça pública. Olhe par uma mulher de brincos de ouro que enfeitavam bem seu rosto, ela nem me viu, devia estar preocupada com a possibilidade de tocar com seus sapatos em alguma pedra que estivesse num lugar errado e que ranhasse o seu sapatos. Uma estudante de blusa amarrada na cintura, olhava tanto para baixo que parecia preocupada com a virgindade “perdida” no dia anterior. Outros andavam olhando para o céu como quem pede clamor a um deus que sempre disseram estar la em cima ( não sei porque não está com seus filhos?) raros os que olhavam a sua volta e que tinham condições de observar o que acontecia a sua volta. Mesmo na pressa é possível ver movimentos, sons, detalhes, que compõe a paisagem da cidade.
Tive vontade de sentar no meio da rua e começar a escrever um livro maluco. Que registrasse as impressões transmitidas por aquelas pessoas que pasmavam com animais que vão pra o matadouro. Que registrasse o desconsolo das testas franzidas, com olhares carrancudos e medrosos. Que assumissem a loucura. Que não escondessem a vontade de viver dos que passam pelas calçadas querendo desviar de qualquer empecilho que possa interromper a jornada diária. Seria um livro maluco! Loucura não é doença; loucura é não fazer o que do desejo exigem e que condições permitem, por medo de errar.
Quem compraria esta loucura! Não seria nem ciência, nem filosofia. Constaria mais que uma cerveja. é loucura mesmo! Se nem se quer param para ver se alem de seus cabelos despenteados, dos olhos sonolentos. O que será possível ler na hora da novela, do programa policial? Ah! Se programa policial faz sucesso por que um livro louco não faria? Estória e fatos fantasmagóricos na tela se vê o que não se olha nas ruas. O que ser pode ver em cada esquina de forma difusa. Então o livro fará sucesso, farei dos escritos o rosto de cada transeunte, mais do que espectador. Maquiarei o rosto da mulher antes de sai para o trabalho; passarei o batom nos lábios da mocinha depois do pão com margarina e leite (que mordomia/!) quando apressada se prepara para tomar o ônibus. Olharei no bolso dos personagens para contar os tostões. Seria mascara dos sorrisos falsos, dos olhares das madames. Ainda mis, expiarei os homens preocupados com a barba que deveria sido feita enquanto balança o pênis espalhando urina pra todo lado. Poderei mostrar os sonhos dispostos a não se realizarem porque jamais serão revelados. Enfim, falar a verdade!
Sou louco. Essa é minha conclusão. Estou querendo falar a verdade, verdade nua e crua. Segredo que não se revelam. Realmente, já nem sei que é o louco, se eu o u rapas que me convidou pra escrever um livro. Se sou eu ou se é meu livro. Sou louco quem me convida para escrever um livro. Talvez todos sejam loucos. Pelo menos todos que dizem ser normais. Uns porque dizem a verdade outros pro que não dizem a verdade, ou por revelar as suas. Ora se tudo isto for loucura, a coisa mais bela é ser maluco de carteira registra. Não precisa de esconder nada. Sentar-se-á na rua e verá o mundo como ele é, sem precisar de vídeo para ver a amostragem de cotidiano tão caótico quanto a vida de um louco sadio.
Pensar dá trabalho para quem pensa e para quem é pensado. Acredito que eu não seja maluco, talvez possa escrever textos menos loucos. Desses livros gostosos, afinal paro traumas? Se a vida é pra ser aproveitada conforme a possibilidade de cada um.
Decidi. Não vou escrever nenhum livro para dizer os que os “sadios” querem ouvir. Seria mais um idiota a não dizer o que pensa, nem mesmo a própria verdade; outra vez a a loucura seria consagrada em escritos apócrifos. É melhor ser louco, sentar-se na rua, escrever um livro e joga-lo no lixo. Onde a vida se realiza.
Assumi a loucura e entrei para escrever a loucura mais sadia que podia escrever. Não sabia que o que pensava o maluco que me convidou pra escrever o livro. Cumprimentei-o na porta, antecipei meus agradecimentos pelo convite. Sentamos ao lado de uma estante de livros, quase todos ainda com marca paginas que anunciava a data da leitura do livro. Perguntei sobre o que poderia escrever, sorriso entre os dentes, ele me convidou para assumirmos a loucura das pessoas sadias que não tem coragem de mostrar suas verdade e descarregam suas loucuras em personagem da vida moderna.

5 de agosto de 2007

MENTIRA TEM PERNA CURTA

Papai Noel estou de mal com o senhor. Esperei meu presente e não ganhei. Eu só queria uma boneca de verdade. Vi tanta criança que ganhou bastante presente que nem pediu e eu não ganhei. A minha mãe fala o tempo todo que quem é bem boazinha o Papai Noel dá presente; eu não ganhei. Agora não acredito mais nela só por sua causa. A minha mãe falou que o senho não achou a nossa casa, sei que não é verdade. Eu vi na televisão que o Papai Noel conhece todas as crianças. Por favor, traga minha boneca nem que seja depois do Natal. Eu moro perto da casa da Juliana e ela ganhou uma boneca do jeito que eu quero.

Maria



Está estória não é raridade. Certamente acontece muitas casos como esse todos os finais de ano. Demonstra quanto os pais devem levar a sério as fantasias das crianças. Afinal de contas, para elas não há fantasia, há realidade. Aparece com bastante ênfase um dos problemas comuns na relação com as crianças: a mentira. É comum o adultos aproveitarem das fantasias da criança para fazer inadvertidamente que suas ordens sejam obedecidas. Estratégia como essa pode causar transtorno psicoemocional pode resultar em problemas na adolescência, tais com insegurança ou mesmo a rebeldia provocada pelas descobertas de que seus pais, seus heróis em um primeiro momento da vida, mentiam ao fazem certas afirmações.
Na estória acima Maria, como tantas meninas pelo mundo afora, esperou seu presente de Natal que deveria ser trazido pelo Papai Noel e não obteve. Em dois momentos com natureza diferente Maria ressalta que sua mãe mentiu para ela. Na primeira, ela demonstra que acreditou que ela era boazinha e que portanto ganharia o presente. No segundo momento, pelo contrário ela já não acredita em sua mãe que diz que o Papai Noel não encontrou sua casa. Outro detalhe e que no primeiro momento ela diz não mais acreditar em sua mãe culpando o Papai Noel. Mas continua acreditar na fantasia, no Papai Noel. Isto se dá pela consciência empírica que prevalece no desenvolvimento psicológico da criança. É muito mais fácil acreditar que sua mãe mentiu, disso ela tem exemplo concreto, ela foi boazinha e não ganhou o presente esperado..
Os pais devem tomar cuidado para não se tornar nos principais mentirosos da vida da criança, e ainda por cima tenta impedir que ela não desenvolva o habito de mentir. Para que isso não venha acontecer, os pais devem ajudar nas fantasias mas não devem abusar dessa capacidade da criança na hora de instrui-los para que não tenha suas afirmações desmentidas a cada momento.

PROF. JOSÉ LAURO MARTINS. EDUCADOR.