Seja bem vindo!

Pelo menos nesse espaço posso expressar as idéias que parecem malucas. Afinal, porque termos medo de sermos malucos se todas as grandes personalidades da história foram consideradas malucas em seu tempo.


24 de março de 2010

A LIÇÃO DE UM MATUTO

A LIÇÃO DE UM MATUTO
- O de casa!
- O di fora, pode entrá!
- Podemos conversar um pouco?
- Purquê não, vamos chegá, tomá um café.
- Sou professor Antonio, esse é nosso ajudante, e aquela é um estagiario que está fazendo as anotações pra depois fazermos um livro. E o senhor qual é seu nome?
- Sô José Sampaio da Cruis, mas podi mi chama de Zé da Cruis
- Mora por aqui aqui muito tempo? - Pra dizê a verdadi, eu nasci ali dotro lado do ispigão, dispois que meu pai morreu eu fiquei com a parti da terras di cá. Aqui nois mora desdi casado di novo.
- Bem seu Zé, nós trabalhamos para um projeto que visa distribuir livros gratuitamente para a população carente. Que não tem acesso à cultura e vive sem conhecer como funciona a sociedade, a natureza....
- Seu moço já parô na bera d´um corgo i oio pra ele comu si fosse oiá pra um fio seu. Já oio pra quelas águas que passa sem pará e vai simbora porque isso qui é u seu fazê. Já piso discarso n´água fria limpinha que dá gosto. Já bebeu água di corgo na parma da mão, desses qui corre imbaxo di mata. Já viu as piabinhas assanhadas co u pe da gente n´agua. Puis seu moço si u sinhô num sabi dessas coisas num sabi o qui é natureza, não. Istudá nus livro, vê televisão num dá sabiduria qui percisa pra vivê aque nessas bandas. Sei qui u sinhô pode sabê di muitas coisas qui num iscuitei falá, e si eu iscuitei tamem num intindi nada. Mais posso dizê qui pra vive aqui us livru num fais muita farta si nois num subé intendê mudança du baruio do rio quandu vai chuvê. Num subé u tipo di vento qui trais a chuva. Sei qui é bao intendê dus livro, cunhecê otros mundo, otros modo di vivê. Cunhecê das duença qui fais us pobre tremê. Mais vô ti dize cum sinceridade, num dispreso nada disso por que sei qui tem seu valô. Mais num vem cum jeito di arrogança pra riba di nóis dizeno qui sô tapado, qui sô isso qui sô aquilo aqui não. Posso até sê prus óio du sinhô mais vem morá aqui pra vê si essas sabidurias vai adiantá. Intão posso dizê qui u sinhô é benvindo mais num vô dizê qui vô lê seus livro purque agente tem leitura poca e quando chega da roça qué memo é discança. -
Ta bem seu Zé, vamos fazer o seguinte posso deixar os livros para os seus filhos ou quem mais quiser ver. É um presente que não paga a lição de vida que o senhor nos deu. 
- eu num vo fazê disfeita, vô aceitá sim sinhô. Mais o dia que qiser saber o que pensa nóis aqui da roça, venha passa uma semana pro sinhô vê nossa labuta. 
(e assim partiu o professor, aluno de um matuto)

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