Eu estava andando numa rua perto de minha casa, quanto do portão de uma casa antiga, o louco me chamou:
Oi (eu olhei) venha cá. (na dúvida eu fui) vamos escrever juntos. A idéia parece maluca mas é fácil, basta que entendermos do mesmo assunto. Ou, podemos criar uma estória.
Oi (eu olhei) venha cá. (na dúvida eu fui) vamos escrever juntos. A idéia parece maluca mas é fácil, basta que entendermos do mesmo assunto. Ou, podemos criar uma estória.
Foi isso que ouvi daquele rapaz considerado louco pelos seus vizinhos. Quando ouvi aquelas afirmações tão objetivas, parei e olhei sem dizer nada. Pensei que louco é esse que sabe como escrever um livro em parceria? Olhei para as pessoas normais a minha volta, todas passavam de cabeça baixa como quem procura algo precioso perdido em praça pública. Olhe par uma mulher de brincos de ouro que enfeitavam bem seu rosto, ela nem me viu, devia estar preocupada com a possibilidade de tocar com seus sapatos em alguma pedra que estivesse num lugar errado e que ranhasse o seu sapatos. Uma estudante de blusa amarrada na cintura, olhava tanto para baixo que parecia preocupada com a virgindade “perdida” no dia anterior. Outros andavam olhando para o céu como quem pede clamor a um deus que sempre disseram estar la em cima ( não sei porque não está com seus filhos?) raros os que olhavam a sua volta e que tinham condições de observar o que acontecia a sua volta. Mesmo na pressa é possível ver movimentos, sons, detalhes, que compõe a paisagem da cidade.
Tive vontade de sentar no meio da rua e começar a escrever um livro maluco. Que registrasse as impressões transmitidas por aquelas pessoas que pasmavam com animais que vão pra o matadouro. Que registrasse o desconsolo das testas franzidas, com olhares carrancudos e medrosos. Que assumissem a loucura. Que não escondessem a vontade de viver dos que passam pelas calçadas querendo desviar de qualquer empecilho que possa interromper a jornada diária. Seria um livro maluco! Loucura não é doença; loucura é não fazer o que do desejo exigem e que condições permitem, por medo de errar.
Quem compraria esta loucura! Não seria nem ciência, nem filosofia. Constaria mais que uma cerveja. é loucura mesmo! Se nem se quer param para ver se alem de seus cabelos despenteados, dos olhos sonolentos. O que será possível ler na hora da novela, do programa policial? Ah! Se programa policial faz sucesso por que um livro louco não faria? Estória e fatos fantasmagóricos na tela se vê o que não se olha nas ruas. O que ser pode ver em cada esquina de forma difusa. Então o livro fará sucesso, farei dos escritos o rosto de cada transeunte, mais do que espectador. Maquiarei o rosto da mulher antes de sai para o trabalho; passarei o batom nos lábios da mocinha depois do pão com margarina e leite (que mordomia/!) quando apressada se prepara para tomar o ônibus. Olharei no bolso dos personagens para contar os tostões. Seria mascara dos sorrisos falsos, dos olhares das madames. Ainda mis, expiarei os homens preocupados com a barba que deveria sido feita enquanto balança o pênis espalhando urina pra todo lado. Poderei mostrar os sonhos dispostos a não se realizarem porque jamais serão revelados. Enfim, falar a verdade!
Sou louco. Essa é minha conclusão. Estou querendo falar a verdade, verdade nua e crua. Segredo que não se revelam. Realmente, já nem sei que é o louco, se eu o u rapas que me convidou pra escrever um livro. Se sou eu ou se é meu livro. Sou louco quem me convida para escrever um livro. Talvez todos sejam loucos. Pelo menos todos que dizem ser normais. Uns porque dizem a verdade outros pro que não dizem a verdade, ou por revelar as suas. Ora se tudo isto for loucura, a coisa mais bela é ser maluco de carteira registra. Não precisa de esconder nada. Sentar-se-á na rua e verá o mundo como ele é, sem precisar de vídeo para ver a amostragem de cotidiano tão caótico quanto a vida de um louco sadio.
Pensar dá trabalho para quem pensa e para quem é pensado. Acredito que eu não seja maluco, talvez possa escrever textos menos loucos. Desses livros gostosos, afinal paro traumas? Se a vida é pra ser aproveitada conforme a possibilidade de cada um.
Decidi. Não vou escrever nenhum livro para dizer os que os “sadios” querem ouvir. Seria mais um idiota a não dizer o que pensa, nem mesmo a própria verdade; outra vez a a loucura seria consagrada em escritos apócrifos. É melhor ser louco, sentar-se na rua, escrever um livro e joga-lo no lixo. Onde a vida se realiza.
Assumi a loucura e entrei para escrever a loucura mais sadia que podia escrever. Não sabia que o que pensava o maluco que me convidou pra escrever o livro. Cumprimentei-o na porta, antecipei meus agradecimentos pelo convite. Sentamos ao lado de uma estante de livros, quase todos ainda com marca paginas que anunciava a data da leitura do livro. Perguntei sobre o que poderia escrever, sorriso entre os dentes, ele me convidou para assumirmos a loucura das pessoas sadias que não tem coragem de mostrar suas verdade e descarregam suas loucuras em personagem da vida moderna.
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