Há algum tempo venho refletido sobre a gestão da aprendizagem. Considerando que o que tenho observado até agora é essencialmente gestão do ensino. Tanto que qualquer instituição valoriza a nota como representação da aprendizagem. Nada mais absurdo. Que deus sou eu capaz de transformar em um número qualquer os conhecimentos que estão no espírito do outro? Mas esse foi apenas o mote para um início de conversa. Pois nada disso preocupa com o prazer de estudar e aprender.
Vou fazer uma breve reflexão sobre esse tema a partir de uma agradável leitura que fiz da obra A escola tem futuro? Do professor Rui Canário[i]. Em meio a tantas interrogações que ele propõe, destaca na primeira parte do livro que se aprende mais com o contexto que no ensino escolar. O que eu concordo. Talvez esteja aí a resposta para tornar a escola mais agradável. Creio que perguntar para os estudantes sobre o prazer de estudar e aprender não seja uma preocupação nobre para os educadores que tem que preocupar com tantas formalidades no dia-dia da escola. Embora não seja novidade para o meio científico que alegria e o prazer na escola pode ser um instrumento poderoso de aprendizagem, não percebemos essa preocupação nos agente dos sistema educacional nem nos educadores tão atarefados com tantos diários, provas e aulas para preparar.
Tombem não é novidade observarmos escolas depredadas, muros e grades que em parte serve para proteger a escola dos vândalos externos mas também serve para impedir que os estudantes vá embora antes da hora. Alunos que diz que não gosta da escola, do professor, da matéria e assim por diante. Eu pergunto: como aprender em uma escola desagradável? Para começar temos que observar o desconforto do banco escolar. O professor Rui Canario nos da uma lição muito importante para superar essa agressão a escola, mas que não tem receita definitiva. Diz ele que a escola esta na comunidade e precisa fazer parte dela. Da mesma maneira que os alunos é a parte da comunidade dentro da escola. Então uma escola que agride seus alunos não pode esperar nada diferente deles. A escola muda, mudando a relação com a comunidade.
É comum encontrarmos escolas públicas com paredes sujas portas quebradas cadeiras desconfortáveis, ventilação ruim e professores despreparados. E ainda querem que os alunos fiquem bem comportados na sala de aula. Creio que basta o bom senso para perceber que os alunos estão certos em querer fugir desses ambientes que não estimula a alegria de viver e de professores analfabetos emocionais. Minha filha diz que gosta de matemática, mas é do professor de história que ela fala todos os dias. Ou seja, esse professor oferece mais o prazer de estudar. É ele que brinca e faz piada com a história.
Outro aspecto que os saudosistas precisam entender. No passado nossas crianças tinham muito menos atrativos fora da escola. O professor era uma fonte importante de informações, que sem ele, era impossível saber. Isso fazia do professor um ser diferenciado, socialmente importante. Essa história felizmente mudou, mas infelizmente a escola não. Hoje nossas crianças têm acesso a um universo imenso de estímulos visuais e sonoros. Tem acesso a um dos meios de comunicação mais difundido em qualquer canto do Brasil: a televisão. Temos que perceber que conforme o estudo publicado pela UNESCO[ii] recente, uma criança fica em me dia 3 horas diárias em media assistindo televisas em 23 países estudados. Eis aí uma comparação que qualquer criança faz: “não quero ir pra escola quero assistir desenho.” Como comparar um quadro negro (ou branco, não importa) com a dinamicidade dos programas televisivos.
Bem, esse assunto é muito extenso e eu quero concluir com uma receita para uma escola ter sucesso com os seus alunos: invista no prazer, estudar não pode ser ruim, educador não precisa ser carrancudo, escola precisa ser bonita, lúdica, interessante, divertida. Aprender como sacrifício deixa para os laboratórios das universidades, mas na educação básica temos estimular mesmo é a paixão pelo conhecimento, pelo novo, pela descoberta. Professor precisa fazer pelo menos oficina de teatro para não fazer da educação um drama lamentável da desgraça humana. Para ser professor não pode ser apenas especialista em certa área do conhecimento tem que saber falar bem por isso a oficina de oratória deveria ser matéria obrigatória em todos os cursos de formação de professor, afinal esse é o instrumento de trabalho.
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