Seja bem vindo!

Pelo menos nesse espaço posso expressar as idéias que parecem malucas. Afinal, porque termos medo de sermos malucos se todas as grandes personalidades da história foram consideradas malucas em seu tempo.


5 de agosto de 2007

QUEM REPROVA QUEM

JoséLauro Martins, educador.


Final de semestre, professores e alunos sonham com uma parada. Chega de aulas chatas onde nem professor nem aluno agüentam mais. Chega de diários, exigências reclamações, reuniões intermináveis. É fim de semestre. Mas antes disso tem uma pergunta para responder: quem vai, quem fica? Afinal nosso sistema educacional público põe na mão do professor a responsabilidade integral pela aprovação ou reprovação dos estudantes.
Bem, para início de conversa, posso afirmar que prova não prova nada. E olha. Estou a 10 anos aplicando avaliações, dez anos de professor. Já atuei desde as séries iniciais do ensino fundamental até o último ano do ensino superior. Além disso, sou aficcionado pelo estudo da avaliação pedagógica.
Uma pergunta não deixo de fazer cada vez que tenho que dar nota a um aluno: como transformar em número o conhecimento que está na cabeça do estudante. Daí um monte de perguntas sem respostas poluem meus raciocínios: qual critério usar se cada aluno é diferente em seu tempo e processo de aprendizagem? É justo tratar todos iguais? Que ser superior sou eu que tenho o poder de dizer que determinado aluno dever estudar novamente está ou aquela disciplina? Como posso dizer que determinado aluno não aprendeu, se muitos dos conhecimentos que adquiri e que foram ministrados por meus professores só fui compreende-los depois que terminei tais disciplinas?
Sei que não estou sozinho na busca de tantas respostas. Porém, não há mecanismo que oriente o professor nas tomadas das decisões necessárias para que a eficiência do nosso trabalho atinja os níveis adequados. A pergunta continua: aprovo ou reprovo. Alguns (poucos) alunos demonstram visivelmente sua eficiência, outros ( a maioria) não demonstra sinais claros do aprendizado. Uns nem acreditam em seu aprendizado. Uma coisa é certa todos querem ser aprovados. Os alunos têm o professor, a coordenação para recorrer. O professor não tem a quem recorrer. Uns não têm consciência do tamanho da responsabilidade e como o sistema manda, eles fazem. Muitos nem tem consciência de sua própria ignorância, como questionar? O professor consciente de seu papel está sozinho diante das exigências dos alunos, da instituição e do sistema. São os ossos do oficio? São, mas não deveria ser. A instituição de ensino, seja ela qual for, precisa preocupar mais com o que o professor faz nesse momento crucial da aprendizagem. Afinal de contas, quem emite o diploma não é o professor em particular. O professor não pode ser culpado por questões que a instituição faz ‘vistas grossas’.
Como prefiro não concordar com o dito popular: “o que não tem remédio, remediado está”. Ainda que boas partes dos professores não estejam preocupados com estas questões, seja por falta de conhecimentos, seja por comodismo. Coloco-me conscientemente como educador inquieto e não me deixarei de ser professor por não ter nem todas as respostas. Prefiro não cessar a minha busca para ser sempre educador.


Um comentário:

  1. Oi professor José Lauro!

    Concordo inteiramente com sua posição frente a questão. Bom encontrar alguém que pensa como eu, muitas vezes achei que só eu pensava assim. Valeu!! Lia

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