JoséLauro Martins, educador.
Final de semestre, professores e alunos sonham com uma parada. Chega de aulas chatas onde nem professor nem aluno agüentam mais. Chega de diários, exigências reclamações, reuniões intermináveis. É fim de semestre. Mas antes disso tem uma pergunta para responder: quem vai, quem fica? Afinal nosso sistema educacional público põe na mão do professor a responsabilidade integral pela aprovação ou reprovação dos estudantes.
Bem, para início de conversa, posso afirmar que prova não prova nada. E olha. Estou a 10 anos aplicando avaliações, dez anos de professor. Já atuei desde as séries iniciais do ensino fundamental até o último ano do ensino superior. Além disso, sou aficcionado pelo estudo da avaliação pedagógica.
Uma pergunta não deixo de fazer cada vez que tenho que dar nota a um aluno: como transformar em número o conhecimento que está na cabeça do estudante. Daí um monte de perguntas sem respostas poluem meus raciocínios: qual critério usar se cada aluno é diferente em seu tempo e processo de aprendizagem? É justo tratar todos iguais? Que ser superior sou eu que tenho o poder de dizer que determinado aluno dever estudar novamente está ou aquela disciplina? Como posso dizer que determinado aluno não aprendeu, se muitos dos conhecimentos que adquiri e que foram ministrados por meus professores só fui compreende-los depois que terminei tais disciplinas?
Sei que não estou sozinho na busca de tantas respostas. Porém, não há mecanismo que oriente o professor nas tomadas das decisões necessárias para que a eficiência do nosso trabalho atinja os níveis adequados. A pergunta continua: aprovo ou reprovo. Alguns (poucos) alunos demonstram visivelmente sua eficiência, outros ( a maioria) não demonstra sinais claros do aprendizado. Uns nem acreditam em seu aprendizado. Uma coisa é certa todos querem ser aprovados. Os alunos têm o professor, a coordenação para recorrer. O professor não tem a quem recorrer. Uns não têm consciência do tamanho da responsabilidade e como o sistema manda, eles fazem. Muitos nem tem consciência de sua própria ignorância, como questionar? O professor consciente de seu papel está sozinho diante das exigências dos alunos, da instituição e do sistema. São os ossos do oficio? São, mas não deveria ser. A instituição de ensino, seja ela qual for, precisa preocupar mais com o que o professor faz nesse momento crucial da aprendizagem. Afinal de contas, quem emite o diploma não é o professor em particular. O professor não pode ser culpado por questões que a instituição faz ‘vistas grossas’.
Como prefiro não concordar com o dito popular: “o que não tem remédio, remediado está”. Ainda que boas partes dos professores não estejam preocupados com estas questões, seja por falta de conhecimentos, seja por comodismo. Coloco-me conscientemente como educador inquieto e não me deixarei de ser professor por não ter nem todas as respostas. Prefiro não cessar a minha busca para ser sempre educador.
5 de agosto de 2007
QUEM REPROVA QUEM
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Oi professor José Lauro!
ResponderExcluirConcordo inteiramente com sua posição frente a questão. Bom encontrar alguém que pensa como eu, muitas vezes achei que só eu pensava assim. Valeu!! Lia