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Pelo menos nesse espaço posso expressar as idéias que parecem malucas. Afinal, porque termos medo de sermos malucos se todas as grandes personalidades da história foram consideradas malucas em seu tempo.


5 de agosto de 2007

MOVIMENTOS SOCIAIS

José Lauro Martins


A vida em sociedade faz surgir necessidades que estão além das necessidades apenas individuais. Não basta querer pescar e ir pescar, pegar o peixe e comer. Mesmo que queira produzir o sustento da família, o trabalhador rural que não disponha da terra em condições de cultivo não terá como produzir. Ao operário não basta querer trabalhar, precisa conseguir o emprego.
A urbanização atraiu a população para os centros urbanos em busca de melhores condições de vida, embora as cidades não estivessem preparadas para receber um grande contigente de pessoas, nada foi feito para conter a migração, pelo contrário, em determinados casos foi inclusive incentivado incentivado o êxodo rural, multiplicando os problemas sociais. Cidades sem a infra-estrutura necessária, o desemprego e a perda da identidade cultural dos trabalhadores. Da solidariedade natural que existe na pequenas comunidades rurais, trabalhadores passam a depender do assistencialismo governamental e não-govenamental.
No campo os problemas multiplicaram nas últimas décadas. As grandes agroindustrias, a grilagem, os latifúndios improdutivos, a monocultura transformou grande parte dos trabalhadores rurais da agricultura de subsistência em operários rurais nas lavouras de cana , de soja e outras culturas. Também a mecanização expulsou do campo grande contigente de trabalhadores. O resultado dessa ações foram o inchaço da cidades e o acirramento das lutas pela terra. Por um lado trabalhadores rurais que vão para os grandes centros em busca de melhoras de vida sem preparo profissional que alongam a lista dos desempregados que sobrevivem da migalhas da sociedade. Do outro lado esta os que resistem à expropriação e tentam preservar sua dignidade formando os acampamentos rurais procurando pressionar o governo para a conquista da “terra prometida”. Vê-se então o acirramentos das lutas pela dignidade no campo e na cidade, a multiplicação dos movimentos sociais e aumento da violência urbana e rural derivada pelo desequilibro social e cultural.



CARACTERIZAÇÃO DOS MOVIMENTOS SOCIAIS


Os movimentos sociais se constituem a partir das necessidades de um grupo ou de parcela da sociedade em adquirir mais forças para reivindicar direitos, oferecer resistência, exigir mudanças perante o poder público. Constitui a partir de um grupo de indivíduos com objetivos comuns que se organizam em função de interesses coletivo e social. Todavia, nem todo grupo organizado em função de interesse comuns podem ser considerado movimento social. O grupo de torcedores de um time de futebol, ainda que organizados; os grupos de pressão que atuam no congresso nacional buscando favorecimentos, os lobys; um grupo religioso que se encontram com finalidade de professar a fé juntos. São alguns exemplos de grupos de interesse coletivo que não constituem movimentos sociais. São grupos que não visam mudanças sociais, apenas interesse econômico, religiosa ou simplesmente pelo prazer de torcer pelo mesmo time.
Uma associação de moradores pode visar melhoramentos na infra-estrutura do bairro, onde não só os nem só os associados, mas todos moradores do bairro seriam beneficiado, como os demais que circulassem naquele espaço. Além do mais que esses moradores estariam socializando também conhecimento na medida que os moradores associados buscam informações sobre os problemas existentes, seus direitos e estabelecem estratégias para pressionar o governo local para resolver seu problemas.
Uma associação de moradores constitui um movimento social na medida que busca a adesão do maior número de moradores decidem as táticas de atuação em conjunto e representa uma parcela da sociedade. Suas reivindicações e conquistas não restringe a um pequeno grupo.
Os movimentos melhores organizados possuem estatutos e registro em cartório, o que não garante a qualidade do trabalho. Alguns movimentos são organizados com finalidade bastante específica, tal como associação de mutuários buscam corrigir das distorções nas cobranças das prestações da cassa própria; outros com fins diversos, como uma associação de moradores que lutam pela melhoria da qualidade de vida. Podem restringir a área de atuação a um bairro, como é o caso das associações de moradores; como podem tomar amplitude nacional, como o caso do Movimento Sem-Terra.
Uma das marcas mais constantante nos movimentos é a capacidade de cobrança perante o poder público. A boa estruturação do movimento contribui para a sua credibilidade, assim como a independência de qualquer movimento em relação ao poder público. Todo movimento social que se apresenta com a função de reivindicar direitos ou exigir a melhoria em um bairro precisa da maior independência possível diante do poder público para não seja cooptado politicamente e caia no descrédito daquele grupo social. A participação constante de parlamentares ou de membros da administração pública pode comprometer a independência política do movimento.
Muitas vezes o próprio poder público procura manter agentes em constante contato com os movimentos para se mantenham informado de suas ações e possa agir preventivamente, ou agentes com capacidade retórica de justificar ou esconder as falhas da administração evitantando a mobilização social. Ou seja, manter a desmobilização. Em alguns casos, a administração pública que presa o atendimento as organizações populares nem só destacam o atendimento as organizações sociais mas ainda incentivam suas organização, não para domina-las, mas para a politização eleitoreira por parte de políticos inescrupulosos e como forma de atenção direta aos anseios sociais.

Os movimentos sociais buscam , em última análise, uma forma de conquista da cidadania. É nessa forma de exercício político, em face do aprendizado que o próprio movimento proporciona, que os cidadão passam a reconhecer melhor os seus direitos e perceber a possibilidade tê-los respeitados. Por outro lado, esses movimentos também proporciona a formação da identidade expropriada. No convívio e na reflexão com outros cidadãos que vivem mesmo drama o indivíduo percebe que não é “vontade de Deus” e nem o “destino” a causa de certos problemas sociais. Assim, uma pessoa que foi a vida toda arrendatário, meeiro ou bóia fria percebe que seu esforço por maior que seja dificilmente poderá possuir um pedaço de terra e as condições necessárias para o cultivo. Percebe também que não é falta de esforço mas que há uma montagem estruturada para não permitir que o mesmo liberte dessa situação. Mas que é uma situação imposta que só será possível sonhar se houver uma organização suficientemente forte e persistente para forçar a transformação dessa realidade.
Essa consciência de cidadania negada adquirida na luta cotidiana faz com que os trabalhadores do campo que raramente são lembrados, romperem a barreira do isolamento geográfico e cultural imposto pelas distancias e pelas dificuldades de formação e informação. Adquire a capacidade de perceber as diversas formas de vida e valorizar a sua forma de viver, de relacionar com a natureza e com os vizinhos; passam a perceber-se como sujeito da história e o que era uma situação aparentemente circunstancial o fato de permanecer no campo e lutar por melhores condições de vida passa ser uma opção de vida.



BOA LIDERANÇA: UM GRANDE DESAFIO


As lideranças dos movimentos sociais tem um papel fundamental no êxito do movimento na luta pela superação dos desafios, os quais são a razão da existência dos mesmos. Podemos observar que nem sempre uma organização social ou um movimento surge a partir da habilidade de um líder. Não são raras as vezes que um grupo de pessoas indignadas por uma injustiça ou pela incapacidade dos poder público em atender as necessidades básicas da população se reúnem e a partir do desenvolvimento do trabalho um participante se desta na capacidade de dar idéias, equacionar diferenças, propor estratégias, ouvir os demais membros do grupo, é erigido como líder. Embora para exercer bem a liderança exija aprendizado, e isso não se dá do dia para a noite, o bom senso e a sagacidade faz com que o número de acertos nas tentativas e erros sejam superiores, o que ajuda a consolidar a sua liderança.
Alguns movimentos não possuem sua liderança única, mas possuem conselho ativos suficientemente para comandar as ações a serem realizadas. Em qualquer caso a boa liderança não prescinde das reuniões, das assembléias. As ações são sempre planejadas, de consciência da maioria dos participantes e não se resume a habilidade de um participante.
Outro fator importante nos movimentos sociais são as avaliações constantes. O que não pode ser confundidas com meras cobranças. As avaliações são momentos de reflexão do grupo e análise das táticas usadas no processo. Uma reunião ou uma assembléia deve ter sempre o caráter avaliativo das ações decidas previamente, das ações que foram necessárias durante o processo ainda que não tenha tido previamente autorização, sabe-se que isso é necessário e os encaminhamentos futuros. É nas avaliações que fortalecem o grupo e socializa o conhecimento, as experiências negativas e positivas e fortalece internamente o grupo.
Ainda sobre as ações que as liderança tenha que proceder ad referendum, pode-se dizer que está ai um dos pontos frágeis das lideranças. Pois são comumente ações que devem ser encaminhadas imediatamente e não dá tempo para consultar a base da movimento ou um conselho. É o momento que o verdadeiro líder é capaz de tomar as decisões com a agilidade necessária, mas conforme o perfil do grupo e posteriormente apresenta ao grupo e esclarece a circunstância que levou aquele encaminhamento.
Outros tipos de lideranças podem ocorrer nos movimentos populares, tal como a liderança vinda de de outro movimento que procura com sua experiência ajudar a organizar e conduzir o grupo a determinados resultados. Isso pode ser muito útil por acelerar o processo, diminuir os erros e ajudar a consolidar a lideranças locais. Por outro lado pode ser negativa para o grupo caso essa liderança não se preocupe em despertar a liderança local e construa uma relação de dependência.
Também pode aparecer pseudo líderes advindo de partidos políticos que procura organizar o grupo, mas que não esteja de todo interessado em contribuir para ajudar a resolver os problemas do grupo, na maioria das vezes personaliza o movimento em funções dos interesses particulares ou eleitoreiros.

Para concluir, pode-se dizer que os movimentos sociais constituem como grupo de pressão para com o poder público para exigir respeito a seus direitos, eficiência na administração da coisa pública e garantia de meios para que a cidadania plena possa ser um fato. Para Isso, os participantes de um movimentos desenvolvem a consciência dos problemas sociais e consciência de seus direitos, consciência de classe social e de grupo de interesse social. Tudo não mais que consciência de cidadania. Para isso, buscam superar os desafios da atividade em grupo, elegem seus líderes, superam as barreira política, social, cultural e geográfica através de estratégias decididas em função de seus objetivos.

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