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Pelo menos nesse espaço posso expressar as idéias que parecem malucas. Afinal, porque termos medo de sermos malucos se todas as grandes personalidades da história foram consideradas malucas em seu tempo.


2 de setembro de 2011

Ensinar pode ser um ato violento


Vivemos em uma sociedade permeada por atos violentos que a todo instante alvora-se a critica-se a violência nos meios de comunicação, mas as formas de violência tácita implícita no processo de ensino não parece nos anais da violência. Mas exigir que uma criança fique sentada em um espaço dedicado a ela de aproximadamente 1 metro quadrado, em uma cadeira desconfortável, ouvindo e escrevendo por 4 horas diárias, sem ter o direito de movimentar-se ou falar livremente não pode ser considerada algo prazeroso. Basta o bom senso para perceber que essa forma “enquadramento” das crianças na escola é bastante violenta.
Como o nosso modelo de educação formal predominante[i] não respeita as individualidades e também não é um exemplo de educação pra a autonomia, cidadania, proatividade, mas é esse o modelo que se apresenta como forma adequada de ensinar a séculos que poucos questionam essa forma de atuar sobre os corpos indefesos de nossas crianças. Se considerarmos que violência é qualquer força empregada contra a vontade, liberdade ou resistência de pessoa[ii] é possível afirmar que não é possível a educação tradicional sem violência.
Podemos observar atitudes violentas desde a resistência de uma criança que não quer ficar na creche, mas é retirada com todo cuidado e oferecem-se outras vantagens para que a separação seja apenas menos dolorida. Ou mesmo um adolescente que senta com seu grupo ao fundo da sala de aula com os outros corpos explodindo de energia e não aguentam a espera que apenas um tenha a coragem de fazer algo para que todos sigam e possa por um fim nesse suplício chamado aula.
Na universidade não é diferente, o professor explica o capítulo do livro mesmo antes que eles tomem conhecimento do assunto e espera em vão que alguém pergunte. Ainda diz ao final que se ninguém tem pergunta é porque entenderam. Ainda em tom de castigo dá a sentença: tem prova desse assunto na próxima aula. Esquece que a aprendizagem tem seu tempo, e que as informações não são garantia para a aprendizagem. Em geral os alunos não perguntam por que não sabem o que perguntar, pois ainda é tudo dúvida. Além disso, se todos os alunos de fato perguntassem o professor não teria como responder[iii].
Infelizmente Lauro de Oliveira Lima[iv] continua atual quando disse que o professor comporta-se “como o 'Lector' medieval que 'recitava' pergaminhos e papiros para alunos analfabetos.  A biblioteca não é ainda a fonte de informação: transmite suas 'mensagens' oralmente, como faziam os povos pré-históricos, sem tradição escrita”.


[i] Refere-se ao modelo tradicional de escolas com turmas de aproximadamente 40 alunos com a mesma metodologia e tempo para aprendizagem para todos.
[ii] Verbete do Dicionário Michaelis
[iii] Numa turma de 40 alunos, se cada aluno fizer apenas uma pergunta e para isso gastar em média 1 minuto e o professor gastar, em media, 3 minutos para a resposta apenas essa sessão de esclarecimento de dúvidas levaria 160 minutos (2 horas e 20 minutos) desde que todos sejam radicais no na observação do tempo para a pergunta e para a resposta e também não haja nenhuma interrupção.
[iv] LIMA, Lauro de Oliveira. Mutações em educação segundo Mc Luhan. 8. ed., Petrópolis: Vozes, 1975.

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