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Pelo menos nesse espaço posso expressar as idéias que parecem malucas. Afinal, porque termos medo de sermos malucos se todas as grandes personalidades da história foram consideradas malucas em seu tempo.


5 de agosto de 2007

O EDUCADOR E A ESCOLA DO FUTURO

José Lauro Martins, educador.

Não sou futurólogo, não tenho bola de cristal, nem sou vendedor de ilusões. Apenas posso identificar no presente o que pode vir-a-ser uma realidade. Para isso não há mágica, não precisa de bruxaria, nem despacho. Basta ler as entrelinhas do presente. O presente pode ser mais real que se apresenta. Pode ser mais real do que o que eu posso ver.
Seguindo o movimento da história, podemos dizer que a transformação é inerente a qualquer sociedade. Os conhecimentos são acumulados, as angustias, necessidades acumuladas e, associadas ao conhecimento de seu tempo, dão ao homem, ao seu tempo, as condições necessárias para a mudança.
As mudanças advém das condições históricas, dos conhecimentos acumulados e só não acontecem quando um país é tomado por uma catástrofe histórica, como a foi ditadura militar no Brasil.
As escolas mudaram muito pouco nas ultimas décadas. A educação mudou muito mais. Os educadores estão se profissionalizando, a sociedade está exigindo da escola novos papéis e não apenas o papel de repassadora de conhecimentos acumulados e arquivados nos livros. Os educadores estão sendo colocados contra parede pelos estudantes. A sociedade tem colocado os governantes contra a parede e a educação começa sair do mero discurso eleitoreiro.
Os educadores de hoje tem que entende que o educador do futuro, é o aluno de hoje. E o aluno de hoje é sonhador, sonha com salário digno, sonha com condições ideais de trabalho, sonha com inovações tecnológicas à disposição do trabalho educativo. Precisamos sonhar, só não vale sonhar que esta sonhando. O sonho garante o educador e a educação do futuro, a educação que sonhamos. Educador que não sonha já pertence ao passado.
Educar é estar convicto da possibilidade da mudança, caso contrário, não há educação, há um mero treinamento inútil. O educador é por excelência um homem ou uma mulher do futuro. Pois quem educa, educa para o futuro. Quem educa para o presente, não prepara para a vida, prepara para o passado.
Não há como ensinar sem pensar no uso das novas tecnologias. Não há como pensar evolução das tecnologias sem pensar nelas sendo utilizadas em larga escala na educação.
O futuro exige pessoas capazes de processar as mudanças. E um professor conteudista, “dador de aulas”, não ensina ninguém a processar mudança. Não dá mais para tolerar professores que ensinam uma coisa por vez, como se na vida tudo acontecesse uma coisa por vez e várias vezes cada coisa para podermos aprender com a experiência. Na vida tudo pode acontecer ao mesmo tempo e uma só vez cada coisa, pois um mesmo fato não acontece da mesma maneira duas vezes. Não dá mais para tolerar que as escolas continuem ensinando em linha de produção. Colocando 40 pessoas diferentes numa sala querendo que elas aprendam a mesma coisa da mesma maneira e no mesmo espaço de tempo. Isso não é democrático, não é didático, nem é humano. Pois somos diferentes, aprendemos de formas diferentes, em tempo diferente.
O professor tem que aprender a trabalhar sem moletas autoritárias, as moletas quadro negro, moletas livro didático, moletas notas. O pó de giz pode ser substituído a qualquer momento por bits. O livro mais importante é a vida. A nota que importa é a aprendizagem. Temos que reaprender a avaliar antes mesmo de ter compreendido a justeza da nota, porque a nota não vale nada, não prova nada.
Nem tecnolatria, nem tecnofobia são justificáveis. As novas tecnologias aplicadas á educação exige criatividade, talvez por isso tantos a temem. Mas toda parafernália tecnológica não garante a produção do conhecimento. Temos que aprender a ensinar sem dar aulas. O computador substitui a caneta e o caderno, a internet substitui as bibliotecas físicas por bibliotecas virtuais. Mas toda tecnologia não substitui o educador criativo e apaixonado pelo que faz.
A vida muda, a sociedade muda, nós não somos os mesmos. Não há porque resistir às mudanças. Precisamos ver o novo como possibilidade de aprendizagem. Professor que foge das novidades já pertence ao museu da educação.

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