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Pelo menos nesse espaço posso expressar as idéias que parecem malucas. Afinal, porque termos medo de sermos malucos se todas as grandes personalidades da história foram consideradas malucas em seu tempo.


5 de agosto de 2007

COMO REINVENTAR A RODA?

José Lauro Martins, educador.

Desde os meus avós, e acredito piamente que é uma orientação ainda anterior, aconselhavam algumas regras de boas maneiras e de respeito mútuo. Porém, os tempos mudaram. Agora não sei se sou eu que estou atrasado ou se já sou um homem “fora do tempo”. Sou professor universitário, trabalho com estudantes iniciantes na vida acadêmica. Que chegam a universidade com os vícios familiares e colegiais que dificultam demais o andamento dos trabalhos.
Que muitos dos nossos alunos chegam a universidade sem saber ler, não é novidade para nenhum professor universitário. Que não adquiriram o bom hábito da leitura também não é novidade. Mas tem alguns comportamentos que atrapalham ainda mais o andamento do trabalho.
Uma das grandes dificuldades observada diz respeito a incapacidade da maioria dos nossos jovens alunos a perceberem e respeitarem os demais colegas de trabalho. Ao entrarmos numa sala de aula temos a real impressão que estamos oferecendo o nosso trabalho de educador ‘a ninguém’. E olha que sou considerado pelos meus alunos um bom professor! Tento ser dinâmico e envolver os estudantes nos conteúdos apresentados. Mas é uma tarefa hercúlea.
Raramente temos em sala mais de 50 por cento dos escritos na disciplina. O entra e sai, segundo eles, faz parte da liberdade. Uma liberdade que atrapalha os que querem estudar. Indicação de leitura, me parece perda de tempo. Talvez uns 10 por cento leiam alguma coisa referente ao assunto, independentemente do mínimo exigido. Em outros tempos, eu perguntava no primeiro minuto quem havia lido o material indicado na última aula, e todos que não haviam lido mandava-os para a biblioteca para efetuarem a leitura e ficava na sala somente com os que tinham lido. Na aula seguinte, a situação não era diferente e daí eu não podia mais agir da mesma forma.
É incrível como ninguém tem tempo. Parece que quem tem tempo é apenas o professor. Nas rodinhas de nossos queridos alunos é uma maravilha! Há tempo para quase tudo, quase ninguém fala dos estudos.
Lembro que nos meus 5 anos que passei na universidade pública cursando a graduação nunca tive professor que tivesse fotocopiado um texto e deixado a disposição para facilitar o nosso trabalho. Diziam no final da aula: leiam o livro tal, ou o capítulo tal do livro X. Se alguém perguntasse onde encontraria o tal livro a resposta poderia ser “em alguma biblioteca ou livraria”. E olha, naquela época não havia internet a nossa disposição.
Perceber o grupo, perceber que não somos uma ilha é uma grande dificuldade! O rapaz ou a garota com a pomposidade de quem desfila, entra mascando seu chiclete, arrasta sua cadeira para aonde quer sentar, puxa uma outra para apoiar os pés, cumprimenta seus colegas mais próximos. E o professor fica com a cara de otário esperando que cidadão ou cidadã permita que continue o seu trabalho. É tão raro alguém pedir licença. Interrompe a aula que já está em andamento, atrapalha o raciocínio do professor e dos colegas sem nenhum constrangimento.
Fico perguntando o que nossos alunos aprenderam na sua família sobre a vida em grupo, sobre respeito mútuo, sobre responsabilidade... ? o que estou fazendo na universidade tendo que tolerar ou enfrentar a ‘cara feia’ de alunos mal educados, procurando fazer com que me respeitem e respeitem seus colegas. O pai e a mãe não fizeram o seu papel, agora será que a universidade tem que fazer também o papel de pai e mãe?

Quem tiver a resposta por favor, me dê a fórmula mágica para facilitar o meu trabalho e quem quiser enviar pessoalmente um comunicado meu e-mail é jlauro@uft.edu.br

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